2011 foi um ano bastante difícil para os investidores. Na média, quem correu riscos na bolsa ou em outros investimentos agressivos perdeu dinheiro. Para um número cada vez maior de especialistas, a farra do preço dos imóveis também está próxima do fim. Já na renda fixa, o Banco Central começou a baixar os juros antes que o esperado pelo mercado e diminuiu a atratividade das aplicações mais seguras. Diante de um cenário tão difícil, não é estranho que milhões de brasileiros se rendam à poupança. A simplicidade do produto, a isenção de Imposto de Renda e a ausência de taxas administrativas fazem com que o retorno anual de 6,17% mais TR da caderneta não pareça tão ínfimo assim – ainda que a inflação deva fechar este ano acima de 6,5%. Quem ainda não se conformou com um ganho real tão baixo pode conferir nas próximas páginas ao menos cinco opções de investimento de risco reduzido que batem a poupança nas atuais condições de mercado.

1. Fundos DI com baixas taxas de administração

Para que um fundo DI seja uma alternativa vantajosa à poupança em um momento em que o Banco Central estipulou uma Selic de 11% ao ano, é necessário que a taxa de administração cobrada pelo gestor seja inferior a 1,65%. Não é preciso ter muito dinheiro para encontrar um fundo como esse em qualquer instituição financeira. O problema é que metade das pessoas que investem em fundos DI escolheram produtos antigos, lançados em um tempo de juros mais elevados e em que as taxas de administração não corroíam tanto o ganho dos poupadores. No atual cenário, entretanto, é necessário migrar para um fundo com taxas reduzidas de administração para que a aplicação seja mais vantajosa que a poupança.Cálculos do professor Bolivar Godinho, da FIA, mostram abaixo qual é a taxa máxima que pode ser cobrada por um fundo, dependendo do futuro da Selic e do prazo de investimento (que influencia na alíquota do IR incidente sobre os ganhos):

2. Quem tem mais dinheiro pode migrar para um CDB de banco grande

Muita gente não sabe, mas a caderneta de poupança não é um investimento totalmente sem risco. Se o banco onde foi depositado o dinheiro quebrar, o poupador só terá a garantia de receber tudo o que aplicou até o limite de 70.000 reais. O risco de manter dinheiro em conta corrente ou em um depósito a prazo (CDB) é exatamente o mesmo. Quando o banco paga uma remuneração próxima a 100% do CDI (hoje 10,83% ao ano) para investimentos em CDB, portanto, é muito mais vantajoso para o correntista fazer essa opção em detrimento da poupança. Um levantamento feito por EXAME.com mostrou que é possível obter algo próximo a 100% do CDI no Bradesco, Santander, Banrisul e Safra desde que o investidor não tenha pressa para sacar os recursos. Os correntistas desses bancos devem, portanto, dar preferência ao CDB, ainda que seja necessário pagar IR sobre os ganhos – o produto é isento apenas de taxas administrativas. O mesmo levantamento de EXAME.com mostrou que no Itaú, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e HSBC, será necessário depositar uma grande quantia de dinheiro e negociar com o gerente para alcançar uma rentabilidade de 100% do CDI.

3. CDB de banco médio é para quem tem pouco dinheiro

O investidor que não conseguir uma rentabilidade de 100% do CDI com o CDB do banco onde possui conta deve procurar uma instituição financeira de médio ou pequeno porte para garantir esse retorno. Dois bancos já permitem a abertura de conta e a movimentação dos recursos pela internet: o Sofisa e o Ficsa. O Sofisa Direto permite a aplicação de até 1 milhão de reais em diversos tipos de CDB: com ou sem liquidez diária, pós-fixados, prefixados ou atrelados ao IPCA mais uma taxa de juros. A remuneração oferecida é igual para todos os investidores, independente do volume de recursos aplicado. A menor remuneração oferecida pelo banco equivale a 100% do CDI – e pode crescer desde que o investidor concorde em abrir mão da liquidez diária. É importante notar que o CDB dos bancos Sofisa ou Ficsa oferecem mais risco ao investidor do que um CDB do Itaú, por exemplo, sempre que a aplicação superar 70.000 reais. Isso porque a chance de um banco médio enfrentar uma crise de liquidez é muito maior do que o de uma instituição grande demais para quebrar. É por esse motivo que especialistas recomendam um CDB de banco médio somente para aplicações de até 70.000 reais.

4. LCI e LCA

Outras aplicações de risco baixo que batem a poupança são as LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e as LCI (Letra de Crédito Imobiliário). Os produtos ainda são pouco conhecidos do grande público porque costumam ser oferecidos apenas aos clientes endinheirados do private banking. No entanto, já existem instituições financeiras, como a Brazilian Mortgages ou a Caixa Econômica Federal, que oferecem LCI para investidores de pequeno porte. Esses títulos são emitidos e garantidos por bancos. É por isso que a LCI é conhecida no mercado como CDB imobiliário enquanto a LCA pode ser vendida por aí como um CDB agrícola. A remuneração dos papéis se aproxima de 90% do CDI, o que, à primeira vista, não parece tão interessante. A grande vantagem é que a LCI e a LCA são isentos de IR para pessoas físicas. A isenção fiscal faz com que esses sejam os dois papéis de renda fixa com baixo risco que apresentam a maior vantagem sobre a poupança em termos de rentabilidade líquida.

5. Tesouro Direto

Para quem não deseja correr riscos com depósitos bancários mesmo em grandes instituições, uma solução interessante é partir para o Tesouro Direto. A plataforma criada pelo governo federal permite a compra e venda de títulos públicos pela internet. O investidor terá, no entanto, que abrir uma conta em uma corretora para começar a investir. O papel do Tesouro Nacional com menor risco é a LFT, que paga a taxa Selic do período do investimento. Esse título costuma ser mais atrativo quando a Selic está em alta, ao contrário do que se vê agora, mas, ainda no atual cenário, é a opção mais interessante para quem pode ter de resgatar o dinheiro aplicado a qualquer momento. Os títulos prefixados (LTN) e indexados à inflação (NTN-B) possuem alta volatilidade e podem gerar prejuízo ao investidor que sacar os recursos em determinadas épocas. Em relação aos custos, o Tesouro Direto é mais econômico que os fundos DI. As taxas de administração e corretagem cobradas pelas corretoras são baixas ou até inexistentes em algumas instituições. Nesses casos, o investidor só terá de arcar com a taxa custódia dos títulos adquiridos (cerca de 0,3% ao ano).

Conteúdo Exame.com