Ao contrário do que muita gente pensa, restringir o paladar e “proibir” alimentos pode ser uma faca de dois gumes, de acordo com a nutricionista Denise Giacomo da Motta. “Os indivíduos que optam por dietas restritivas tendem a preocupar-se compulsivamente com o que comem e esforçam-se em resistir ao apelo da comida, comportando-se como alguém em situação de fome constante”, diz.

Com isso, no longo prazo, a tendência é ceder à tentação e comer tudo que pode e não pode, fazendo a pessoa engordar novamente. O ranking das melhores dietas divulgado recentemente pelo site americano U.S. News inclui 20 tipos de regime. Alguns deles são mais restritivos, outros menos, mas todos visam a boa forma e o combate a doenças cardiovasculares e diabetes.

A nutricionista ressalta que as dietas melhor posicionadas são aquelas que propõem não só uma mudança no cardápio, mas também uma transformação no estilo de vida. “Elas sugerem uma alimentação rica em verduras, legumes, frutas, grãos integrais e fontes proteicas magras, e pobres em gorduras, especialmente as saturadas, pobres em açúcares e doces e em sal, associadas à atividade física e, em alguns casos, ao apoio emocional”, afirma.

A tarefa não é fácil, mas pode valer a pena, caso seja seguida com consciência e com a orientação de um nutricionista. Apesar de o ranking ter sido feito com base nas necessidades da população americana, ele pode servir de inspiração para quem está buscando uma nova alimentação para emagrecer e cuidar da saúde. Confira a seguir as cinco primeiras posições da lista.

DASH

Desenvolvida pelo “National Heart, Lung, and Blood Institute” (NHLBI), para o público americano, a dieta DASH tem o foco principal no combate à hipertensão. O regime inclui alimentos que possuem potássio, cálcio, proteínas e fibras, como frutas, vegetais e grãos integrais, além de comidas com baixo teor de gordura e proteína magra.

As comidas altamente calóricas, muito doces ou gordurosas, e o sal devem ser evitados nessa dieta. Dois guias (um mais extenso e outro resumido) ajudam a calcular qual deve ser o consumo diário de calorias, dependendo da idade e da rotina da pessoa, e quais alimentos são mais indicados.

Segundo Denise, no Brasil, uma proposta parecida é o“Guia alimentar para a população brasileira”, do Ministério da Saúde. Mas, apesar de orientar sobre alimentação e prevenção de doenças como diabetes e hipertensão, o documento é um guia, não uma dieta.

Mediterrânea

Se seguida corretamente, a dieta mediterrânea pode trazer benefícios como o emagrecimento, prevenção contra diabetes e câncer, além de cérebro e coração em melhor funcionamento. “As dietas seguidas tradicionalmente pelos povos do Mediterrâneo, por exemplo, Espanha, Itália, Grécia, sul da França, são ricas em frutas, verduras e legumes, azeite de oliva, nozes, peixes, laticínios, grãos, como lentilha, grão de bico, e vinho tinto”, afirma a nutricionista.

Isso, somado a um estilo de vida mais ativo, como exercícios físicos regulares, faz com que o povo dessa região seja considerado como um dos mais saudáveis do mundo. Por não eliminar grupos alimentares inteiros, essa dieta também tem maiores chances de ser seguida no longo prazo.

TLC (Therapeutic Lifestyle Changes)

Dentro de seis semanas, você perderá de 8% a 10% do colesterol ruim, o LDL. Essa é a promessa da dieta TLC (Therapeutic Lifestyle Changes), criada pelo “National Institutes of Health’s National Cholesterol Education Program”, nos Estados Unidos.

Parecido com a dieta DASH, esse regime é rico em frutas, legumes, grãos integrais, laticínios com pouca gordura ou sem gordura, peixe e aves sem pele. Carnes vermelhas, laticínios integrais e frituras não são benvindos. “Para o planejamento alimentar, há necessidade de calcular a necessidade energética, a porcentagem de gorduras saturadas e o teor de colesterol da dieta, o que é difícil para um leigo, mas pode ser facilitado pelo nutricionista”, diz Denise.

Na hora de fazer o cálculo do número de calorias diárias da dieta, deve ser levado em consideração se o paciente quer perder peso ou se quer só controlar o colesterol. Com base nisso, o nutricionista cria a combinação mais indicada.

Vigilantes do Peso

Com foco direcionado basicamente para a perda de peso, o método da dieta dos Vigilantes do Peso controla o emagrecimento pela contagem de pontos – não apenas de calorias, de acordo com uma tabela de alimentos. Quanto mais saudável é a comida, menos pontos ela vale, o que significa que a pessoa pode comê-la em maiores quantidades sem se preocupar.

No longo prazo, essa dieta tem grandes chances de dar certo, porque, ao não proibir nenhum alimento, a pessoa que realiza a dieta pode se dar ao luxo de comer guloseimas de vez em quando. A nutricionista Denise Giacomo lembra que outro ponto favorável dos Vigilantes do Peso é o apoio motivacional e psicoeducativo das reuniões semanais do grupo. “É um programa de educação alimentar que propõe e facilita a mudança do estilo de vida”, afirma a nutricionista.

Clínica Mayo

Para perder peso com a dieta da Clínica Mayo (Mayo Clinic Diet), é preciso ter força de vontade. Apesar de ser um regime balanceado, seu princípio é estabelecer regras do que pode ser consumido e o que deve ser evitado. Com uma proposta, a princípio, mais qualitativa do que quantitativa, a primeira fase foca nos 15 hábitos principais, em que alguns devem ser mantidos e outros, descartados.

Depois de duas semanas se adaptando a essas mudanças, sem contar calorias, vem a segunda parte, que consiste na definição se a perda de peso ainda é um objetivo ou se o principal é apenas manter. Nessa fase, as calorias começam a ser contabilizadas e de onde elas vêm passa a ser considerado de grande importância. “A dieta sugerida é a rica em frutas, verduras e legumes, proteínas magras, grãos integrais; e pobre em açúcares e gorduras”, diz Denise Giacomo.

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